domingo, 23 de maio de 2010

QUINTO ENCONTRO DE MESTRES DO MUNDO REÚNE ESTRELAS COMO SIBA, RENATO BORGHETTI E A VELHA GUARDA DA PORTELA.

Em Limoeiro do Norte, Fortaleza, foi pela quarta vez à capital dos mestres do mundo. Durante quatro dias, representantes de saberes como dança, música e artesanato de matrizes indígenas, negras e européias se reuniram para intercâmbio de técnicas e informações.

Todos os 120 mestres, homens e mulheres, participantes do evento mereceram uma sincera reverência tanto pela organização quanto pela população. Os mestres retribuem, mesmo com o cansaço de horas de viagem, todos se esmeram para apresentar suas melhores performances.

Os mestres brasileiros são gente simples, acostumados à lida na roça. É o caso do rabequeiro cearense Antônio Hortêncio, 82 anos. Músico desde a adolescência aprendeu sozinho o cuidado com a afinação e os reparos do violino dos sertões. “Faz uns 15 anos que ele conseguiu trazer os documentos para Fortaleza e entrar nesse negócio de cultura”, destaca a esposa do seu Hortêncio, dona Belinha. Mas antes ele já não estava nesse negócio de cultura? “Regularizado assim, não”, explica sobre a obtenção do registro de músico profissional.

A programação começava a partir das 9h, todos os dias, em roda de mestres, montada no campus da Universidade Federal do Ceará. Numa delas, o pernambucano Zé do Pife pede o auxílio de um zabumbeiro para sessão de forró de pé de serra sem ensaio prévio. Em instantes, uma animada roda é formada com pandeiro, zabumba, rabeca e triângulo. A palavra, improviso, salta à mente de quem pôde assistir ao encontro. Mas, talvez, espontaneidade sirva como melhor definição.
Há cinco anos, o cantor Siba, famoso como vocalista da banda Mestre Ambrósio (uma das representantes do movimento mangue beat, de Recife) morava em São Paulo quando tomou uma posição importante. “Decidi me mudar para Nazaré da Mata cidade de notório destaque cultural de Pernambuco e fazer um mergulho profundo pelas estéticas populares da Zona da Mata Norte, misturado a um som mais bruto do rock and roll”, desenvolve o cantor.



Do projeto, nasceu a Banda Siba e Fluoresta com artistas de Nazaré da Mata. A mescla de ritmos é utilizada em trabalho totalmente autoral de Siba, “não fazemos covers, eu compus as canções e os arranjos”, revela o maestro. Os músicos de Nazaré da Mata foram os responsáveis por uma enorme roda de ciranda no encerramento do 5º Encontro de Mestres do Mundo, no sábado (20 de março) à noite.
Eles não foram os únicos. Renato Borghetti e a Velha Guarda da Portela levantaram a platéia durante os dias de festa. Porém, hit mesmo fez o paulista de Lagoinha Amarildo Pereira. A canção de um verso só apresentada a todo instante de tão óbvia, faz rir: “A véia que o trem matou, morreu”, era repetida em looping até virar refrão chiclete. “Essa música é um clássico caipira de Canarinho e Passarinho. Ela está no meu repertório há uns 10 anos e eu canto para divertir o povo mesmo”, assume Pereira.

Ao fim do evento sobra a sensação de que a sabedoria de todos os mestres do mundo não cabe em poucas linhas.

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