Na tarde desta quarta-feira, dia 18 de Agosto de 2010, o carnavalesco Severo Luzardo esteve no Recife para anunciar que duas das referências culturais de Pernambuco vão ganhar destaque no desfile que a Império da Tijuca realiza na Sapucaí no Carnaval 2011. O Carnaval pernambucano vai invadir a Marquês de Sapucaí mais uma vez. Depois da homenagem ao frevo, realizada em 2008 pela Mangueira, agora é a vez de o Maracatu de Nazaré da Mata, dos Papangus de Bezerros e da Ciranda de Abreu e Lima, animarem a festa no Rio de Janeiro.
As manifestações populares do Estado estarão presentes no enredo da escola Império da Tijuca, que desfilará no grupo A do Carnaval 2011 com o tema: O MUNDO EM CARNAVAL – UM OLHAR SOBRE A CULTURA DOS POVOS. A idéia de incluir as Festas Populares de Pernambuco partiu do próprio carnavalesco da Escola, Severo Luzardo, que afirmou: “Durante a pesquisa, procuramos por carnavais que tivessem como marca a originalidade, queremos fugir do lugar-comum”, a estética e a cultura dos papangus capturaram logo a atenção do carnavalesco. “Fiquei encantado pelo visual e pelo fato de que movimenta muitos artesãos locais para ser produzido, não é uma coisa fabricada”, conta.
A partir do contato com a Secretaria de Turismo de Bezerros em busca de apoio, a equipe da escola de samba também conheceu os carnavais de Abreu e Lima e Nazaré da Mata. “Os papangus acabaram abrindo caminho para outros aspectos culturais do Estado. O bordado dos caboclos de lança e a autenticidade das cirandas também me impressionaram bastante”, concluiu Luzardo.
A visibilidade que o desfile no Sambódromo dará para o Carnaval no interior de Pernambuco é a principal motivação para o apoio das prefeituras envolvidas no samba-enredo. “Será uma ótima oportunidade para divulgar a cultura dos municípios pernambucanos, além de valorizar o trabalho dos artesãos locais”, esclareceu Sérgio Aroucha, que é o Presidente da ASTUR - Associação das Secretarias de Turismo de Pernambuco. Os próprios artistas de Bezerros, por exemplo, estão criando as fantasias que serão usadas no Rio de Janeiro. “Paulo Câmara, Secretário de Turismo do Estado, “disse que o governo vai apoiar os municípios, mas não antecipou valores”, concluiu Sérgio Aroucha.
Pernambuco figurará no Sambódromo, no desfile ao lado de festas populares do mundo todo, uma vez que a Escola Império da Tijuca irá apresentar as diferentes festas celebradas no período momesco pelos continentes: da famosa Veneza à desconhecida Trinidad e Tobago, assim como os Carnavais da Bolívia e da República Dominicana. Nos últimos anos, além da homenagem ao centenário do frevo, a cultura regional também fez bonito na avenida em 2002, no desfile da Escola Império da Tijuca, que teve como tema a obra do escritor Ariano Suassuna. A Império da Tijuca será a quinta agremiação a desfilar no Sábado de Zé Pereira. Entra na Marquês de Sapucaí com cinco carros alegóricos, um deles destinado às folias brasileiras.
O Secretário de Turismo e Cultura de Nazaré da Mata, Dario Veiga, não só explicou o porquê da exuberância do Carnaval de seu Município como contou um pouco a respeito da origem da folia no local, “as roupas são verdadeiras obras-de-arte bordadas por trabalhadores rurais, gente analfabeta, mas muito habilidosa. Por isso, a Império da Tijuca terá uma ala que representará o maracatu rural. Nossa proposta é formar cinco grupos que produzam 100 fantasias, o equivalente a cerca de R$ 100 mil. O Maracatu representa o estado de Pernambuco como um todo, mas sua origem está mesmo na Zona da Mata, na época da escravidão”.
Diferentemente das duas outras Cidades, que garantem a participação no desfile mesmo sem o aporte do governo do Estado, o Secretário de Turismo e Cultura de Nazaré, explica que sem a parcela de R$ 100 mil do Governo ficará impossível a fabricação das roupas. “Já enviamos DVD para os cariocas aprenderem os passos do maracatu rural, estamos em contato com os artesões locais - na maioria cortadores de cana, trabalhadores rurais - para a confecção do figurino, que é bordado a mão. A vontade de levar o caboclo de lança para a Sapucaí é muito grande, mas o custo é muito alto”, avalia Dário Veiga.
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